Cafezinho do dia a dia

5 passos para ter consciência dos limites nos gastos pessoais do dia a dia

7 minutos

por Diego Menezes

escrito em 12 julho 2012

Estou de volta para falar de uma categoria especialmente delicada dentro do seu orçamento doméstico matador: os gastos do dia a dia.

Já é consenso entre especialistas que os gastos do dia a dia são os principais responsáveis por uma eventual instabilidade financeira. Eles estão tão enraizados na sua rotina que já se tornaram um hábito e, assim como trocar as marchas de um carro, você nem sequer percebe que está gastando.

Esses gastos são de certa forma heróis e vilões na história que o seu orçamento conta ao longo do mês. Isso porque é aqui que moram pequenos prazeres da vida, pequenas conquistas que te motivam e recompensam pelo seu dia de trabalho. Entretanto, esses pequenos gastos estão em tanta quantidade que ao menor descuido podem fazer com que o seu orçamento venha a falhar, te levando a um terrível pesadelo.

A ideia aqui, não é repetir os grandes clichês dessa área como: economize um cafezinho por dia e, no final de 30 anos, compre um carro. Longe disso. Esse texto irá servir para alertá-lo que você tem um grande desafio pela frente se você tem algum problema nessa parte do orçamento. Fazer qualquer mudança nessa área da sua vida envolve uma mudança grande de hábitos e mudar hábitos é uma das coisas mais difíceis de serem feitas. Esse passo a passo tenta deixar a tarefa mais fácil.

Chega de conversa e vamos logo ver o que é necessário fazer para isso acontecer…

Orçamento doméstico matador categoria de gastos do dia a dia
O seu orçamento doméstico matador e em qual bloquinho esse artigo está focado: Gastos do dia a dia (bloquinho 5)

Passo 1: Descubra quanto dinheiro poderá ser usado nos gastos do dia a dia

O dinheiro que você vai gastar aqui é o saldo que vai sobrar após os pagamentos dos gastos na fonte, dos gastos comprometidos e dos seus investimentos. É com esse valor que você terá que se virar e planejar o seus gastos do dia a dia ao longo do mês.

Saber separar os gastos do dia a dia de todos os outros gastos, é o que fará toda a diferença na facilidade de lidar com o seu controle financeiro, isso porque, como já vimos nos últimos artigos, a maneira de processar esses gastos é completamente diferente.

Passo 2: Defina/descubra quais são seus gastos diários mais comuns

Mas antes de falar do passo 2, vamos alinhar definitivamente uma coisa: O que são os gastos do dia a dia? Para entendê-los melhor vamos acompanhar a história de um dia na vida do Tiago.

Segunda feira.  Tiago está indo para o trabalho, logo ao entrar no carro ele vê que o tanque de combustível está quase vazio. É hora de completar o tanque para a semana e lá se vão R$98,00. Chegando ao trabalho Tiago cumprimenta a todos e desce para a padaria com alguns amigos para colocar o papo em dia e tomar um café, e hoje, como de costume, bateu uma fome nele que aproveitou e pediu também um misto. Mais R$4,00 acabam de sair do seu bolso.

Depois de uma manhã de trabalho já é hora do almoço, além do seu prato, Tiago também pede um suco de laranja e ao pagar a conta pega um chocolate como sobremesa, no total a conta fica em R$ 16,50. Thiago trabalha o dia todo em frente ao computador e para evitar irritações nos olhos precisa de um colírio umidificante, já voltando para o trabalho ele lembra que o seu colírio acabou e dá uma passadinha na farmácia para comprar outro, o que custou mais R$16,00. Já no final do dia, antes de ir embora, ele deixa marcado com a turma um happy hour para quinta-feira onde ele planeja gastar R$30,00.

Pronto! No orçamento doméstico matador, gastos do dia a dia são aqueles pequenos gastos que não têm dia certo para acontecer. Ocorrem ao longo do mês. E agora sim podemos ir ao passo 2…

Defina grupos genéricos que representam os gastos que vão ser monitorados ao longo do mês de acordo com a sua rotina. Cada item aqui funciona como uma estimativa (ou meta limite) para gastos. Ex: Esse mês eu vou gastar no máximo R$ 400,00 com Lazer. O que implica gastar no máximo R$ 80,00 por semana.

Passo 3: Estime quanto você gasta por mês com cada um deles

Depois de fazer o diagnóstico e descobrir quais são os grupos de gastos do dia a dia mais relevantes, é hora de estimar quanto você quer (e pode) gastar com cada item.

Para começar, puxe pela memória os seus gastos e com isso faça uma estimativa, ela ficará melhor a cada mês. Vamos ver como ficam os gastos do dia a dia no caso do Tiago. A gasolina fica em R$98/semana então temos R$392/mês com transporte, o cafezinho vai dar no final do mês R$84 com mais o almoço que dá R$273 já temos R$357/mês de alimentação, o colírio dura em média duas semanas e então temos R$32/mês para itens de saúde, e assim você continua para cada um dos seus gastos.

Orçamento Goldmap gastos do dia a dia

Cuidado! Temos sempre a tendência de estimar para baixo os nossos gastos. No começo não gaste tranquilamente com base nessas estimativas, espere para ver se elas realmente se comprovam.

Passo 4: Acompanhe semanalmente

Acompanhar esses gastos diariamente é extremamente trabalhoso e deixar para contabilizar tudo apenas no final do mês pode ser confuso o suficiente para que você perca o controle.

Aqui está o pulo do gato! Acompanhar semanalmente não tomará muito tempo e te dará todas as condições para eventuais correções de rota. Divida todos os valores estimados pelo número de semanas do mês (4 ou 5 semanas de acordo com o mês) e veja, aos domingos a noite por exemplo, se você está cumprindo o planejado ou se estourou o limite da semana.

Lembre-se: enxergar os gastos dos dia a dia semanalmente é muito mais gerenciável do que olhar mensalmente e muito mais produtivo do que olhar diariamente.

Passo 5: Aprimore os valores

Como já foi dito, essa categoria está fortemente relacionada à qualidade de vida, mas alguns gastos do dia a dia podem estar trabalhando contra isso. Então direcione seus esforços para gastar mais com o que você quer e menos com o que você não quer.

Assim que você estiver com as estimativas calculadas, ficará mais fácil fazer escolhas inteligentes.

Ao concluir esse passo a passo, você será capaz de separar um valor adequado para os seus gastos e não mais gastará até que o dinheiro acabe, poderá também facilmente controlar os gastos acompanhado semanalmente e, rapidamente, corrigir uma eventual falha. O mais importante é estar sempre alerta, monitorando seus gastos para que eles possam sempre ser com as coisas que você realmente quer.

Ainda sim vamos alinhar aqui um ponto. Se hoje o seu controle financeiro falha, você provavelmente não conseguirá fazer com que ele passe a funcionar em sua plenitude em apenas uma tentativa, mas tudo bem! Mudanças de hábitos são assim mesmo, não acontecem de uma dia para o outro, elas tomam tempo. Você não precisa conseguir de primeira, você precisa começar.

Começar é metade da ação.

E não se preocupe, os benefícios com certeza já aparecerão na primeira tentativa.

E aí… O que você achou do artigo? Ficou alguma dúvida? Tem alguma sugestão ou crítica? Deixe um comentário abaixo e vamos conversar mais. Em duas semanas eu volto para conversarmos sobre o próximo bloco do seu orçamento matador: os gastos comprometidos.

Autor

Diego Menezes

Diego é cofundador do goldmap. Os artigos escritos por ele cobrem planejamento, gestão de economias, além de dicas e boas práticas para lidar com as finanças. Ele é graduado em Sistemas de Informação pela PUC Minas e torcedor do Cruzeiro.

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11 comentários

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  • Dando uma olhada na sua tabela, surgiram duas dúvidas:
    1- No caso de uma retirada de um valor da poupança, isso entra como renda atípica?
    2- O recomendado de investimento mensal, 3*8%, são apenas da renda do trabalho, ou são da soma das rendas? Nesse caso, olhando ainda para essa tabela, se você retirou R$200,00 da poupança, e isso é uma renda, 24% disso deveria entrar para a reserva “3*8%”?

    • Depois de pensar um pouco, realmente isso que eu perguntei não faz o menor sentido.
      1- Sim, pois é uma renda extra.
      2- Depende. Pois bem, se você está retirando da poupança o dinheiro da poupança, das duas uma: apareceu uma oportunidade melhor de investimento (então a resposta seria sim, mas não seriam apenas os 24% e sim 100% do valor retirado); ou então a situação apertou e sua renda mensal não foi suficiente para cobrir os gastos, e, dessa forma, 100% do valor retirado vai para a coluna “gastos”.

      • Bom que você mesmo já respondeu! Hehehe…

        Mas é isso aí! Acho que eu não poderia ter respondido melhor.

        Tenho uma dica para a segunda questão que é assim: Os 3*8% fazem mais sentido quando se olha para a “renda do trabalho”, para as outras cabe o bom senso para fazer a análise (um ótimo exemplo, é a própria análise que você fez na resposta).

        Obrigado pela pergunta (e pela resposta tb.. rs).
        Até a próxima…
        Renato.

        • Denis

          Já está sendo testado o sistema? Como posso me incluir nos usuários “testers” ?

          • Olá Denis!

            Encaminhei sua solicitação para o Diego Menezes. Ele deve lhe enviar um email em breve para te posicionar.

            Agradeço a participação e o interesse.

            Um abraço.
            Renato Martins.

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  • Ju amoroso

    2 perguntas : eu já coloco na minha planilha na parte da receita o meu salarário bruto ou com os descontos ?
    e Como é que fica benefícios ? Por exemplo recebo R$ 200 de Ticket Car + R$ 250 de vale alimentação, onde devo calcular essas receiras, tudo em um único tópico, benefícios ?

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  • Ivan Viana

    Parabéns pela iniciativa de educar financeiramente os brasileiros com uma linguagem acessível a qualquer nível educacional.

    • Obrigado, Ivan.

      Faz parte dos nossos esforços tentar manter uma linguagem clara e simples. Ainda mais nesse tema que, nós aqui do Goldmap, somos tão apaixonados e acreditamos ser tão importante para as pessoas.

      Um abraço,
      Renato.

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  • Cristian

    Já é meu terceiro comentários desde que comecei a ler estes artigos. São realmente fantásticos. Ainda tenho várias dúvidas. Digamos que eu compre uma roupa ou um relógio (itens não críticos) à vista. Eles vão como gastos do dia a dia certo? E se eu pagar em 1x no crédito. Tem um dia específico de vencimento do cartão. Ainda assim é dia a dia ou já é comprometido? E se eu parcelar em 6, 12 ou 18x, é comprometido? E se eu pagar o combustível no cheque, é do dia a dia? E se este cheque for pré-datado, é comprometido? E se eu parcelar o mesmo relógio em 6x no cheque, é comprometido?

    Grato.

    • Oi Cristian. Ufa! Finalmente todas as suas perguntas estão respondidas!!! 🙂

      Essa aqui eu quebrar as respostas, vamos lá:

      P. ”E se eu pagar em 1x no crédito. Tem um dia específico de vencimento do cartão. Ainda assim é dia a dia ou já é comprometido?”

      R. Não é o fato de pagar com o cartão de crédito que fazem esses gastos serem “gastos comprometidos”. É pelo motivo que a compra do relógio e da roupa, na maior parte das vezes, não ser exatamente um PEQUENO GASTO do dia a dia. Ela está mais para um gasto comprometido ou mesmo atípico (se for algo esporádico).

      P. ”E se eu parcelar em 6, 12 ou 18x, é comprometido? E se eu pagar o combustível no cheque, é do dia a dia? E se este cheque for pré-datado, é comprometido? E se eu parcelar o mesmo relógio em 6x no cheque, é comprometido?”

      R. Comprar ou não parcelado não define em qual categoria do orçamento o gasto vai entrar, mas na maioria dos casos pode deve entrar em “Gastos Comprometidos”. O relógio em 6x, por exemplo, as parcelas entrariam nos Gastos Comprometidos de cada um dos 6 meses subsequentes a compra, no meu ponto de vista. Já o combustível é um gasto q sempre deve entrar nos gastos do dia a dia, independentemente do meio e da forma de pagamento.

      Mas observe que há várias maneiras de se ver o orçamento. Não é algo rígido. O importante é você entender o q está fazendo e porque está fazendo determinada coisa. Essas respostas são os meus pontos de vista sobre os cenários descritos

      Abraços! Diego.