Quais os erros mais comuns no planejamento dos gastos comprometidos

Quais os erros mais comuns no planejamento dos gastos comprometidos

4 minutos

por Diego Menezes

escrito em 9 agosto 2012

A série como fazer um orçamento doméstico matador está na reta final! Chegamos hoje ao 8º artigo dos dez que compõem a série. Falta pouco para você ter o seu orçamento financeiro em movimento. Vamos lembrar hoje o que são os gastos comprometidos e ver os erros mais comuns no seu planejamento.

O que são gastos comprometidos?

No sexto bloquinho do seu orçamento, vão entrar todos os compromissos que têm um dia de vencimento no mês, um dia certo para pagar. Alguns exemplos são a prestação da casa, do carro, a escola das crianças, as taxas de água e luz, a conta de telefone bem como IPTU, IPVA e até mesmo as férias de verão.

Modelo orcamento financeiro pessoal goldmap exemplo de gasto comprometido

Vamos então aos erros mais comuns…

Erro #1: Deixar o orçamento inflexível

Em grande quantidade, os gastos comprometidos irão deixar seu orçamento inflexível e, com isso, vão minar o seu poder de escolha. Seja para o bem, fazendo com que você perca a chance de aproveitar uma grande oportunidade que bater à sua porta. Seja para o mal, já que qualquer pequeno imprevisto irá se tornar uma grande dor de cabeça, sendo necessário recorrer a empréstimos, cheque especial ou qualquer outra forma cara de fazer dinheiro rápido.

Erro #2: Comprometer-se a perder de vista

Ainda pior que ter o orçamento inflexível é ter o orçamento inflexível por um grande período de tempo. Alguns poucos gastos, como financiamento de um carro, da casa própria, ou mesmo de um curso superior, podem limitar seu orçamento por 4, 5 ou até mesmo 30 anos. Você precisa estudar muito bem esses gastos antes de se comprometer, evitando assim que, o que hoje parece um sonho, não se transforme em um pesadelo.

Sonho da casa própria, universidade e carro

Erro #3: Enxergar todos os gastos da mesma forma

Fluxo do dinheiro para pagar os gastos comprometidos

Os nossos gastos são muito diferentes em diversas maneiras. Uma delas é como eles são processados.

Diferente dos gastos do a dia a dia, os gastos comprometidos têm como característica a data fixa para o pagamento. Sendo assim, são facilmente controlados. Para tal basta apenas que o dinheiro seja alocado para o pagamento na data de vencimento. Simples assim.

Erro #4: Não ter uma lista de gastos de frequência anual

Essa é provavelmente a falha mais comum. Ter a lista de gastos anuais será especialmente útil para que você não seja pego de surpresa em um eventual acúmulo de gastos em um único mês, o famoso furo no fluxo de caixa.

Coloque aqui: IPVA, IPTU, matrícula da escola, um presente de aniversário para esposa ou marido, as ferias de verão, uma viagem no carnaval, ou seja, veja tudo com o que você se compromete ao longo do ano e coloque aqui. Depois de somar seus gastos anuais você deve diluí-los ao longo dos 12 meses.

Isso irá garantir mais equilíbrio a sua vida financeira evitando noites mal dormidas e estresse logo antes do pagamento.

Erro #5: Não ter uma reserva de emergência

Eu já falei da reserva de emergência no artigo: O que é uma renda atípica e as 3 melhores formas de usá-la, mas vamos relembrar:

Ter uma reserva financeira é fundamental. Mais que um apoio em horas de emergência, como doenças e desemprego, ela te possibilita fazer escolhas conscientes e tranquilas em momentos que seriam complicados para a maioria das pessoas. Para essa reserva é recomendado que você tenha a disposição o total de 6 vezes seus gastos mensais em investimentos de alta liquidez como a poupança, por exemplo. Embora ela pareça cara, a reserva de emergência é fundamental para sua vida financeira. Então, quando aparecer uma renda atípica, ela pode ser um excelente caminho para começar, complementar ou finalizar sua reserva. Os benefícios disso valem cada centavo investido.

Como montar sua reserva emergencial

A formação da reserva financeira deve ser algo constante dentro do seu orçamento, portanto, um gasto comprometido.

É importante lembrar que esse dinheiro não ficará esquecido em algum lugar apenas esperando alguma adversidade. Ele estará junto aos seus investimentos, também trabalhando para você e, assim como os outros investimentos, poderá gerar receita no bloquinho 2 (Renda de investimento) no seu orçamento.

Tranquilidade

Então é isso! Ao listar todos os seus gastos comprometidos você terá uma boa visão do seu orçamento, com isso poderá planejá-lo melhor.

Limitando seus gastos comprometidos a por exemplo 50% da sua renda e de posse de uma reserva de emergência sólida você dormirá melhor e terá consideravelmente menos preocupações com sua vida financeira.

Abaixo um exemplo de orçamento com os gastos comprometidos:

Orçamento com gastos comprometidos destacados

Um abraço e te espero em duas semanas para falar sobre: Como transformar os gastos pessoais atípicos em gastos previsíveis e controláveis.

Ficou alguma dúvida ou tem alguma sugestão? Não deixe de comentar. Gostou do artigo!? Curta e compartilhe! 😉

Autor

Diego Menezes

Diego é cofundador do goldmap. Os artigos escritos por ele cobrem planejamento, gestão de economias, além de dicas e boas práticas para lidar com as finanças. Ele é graduado em Sistemas de Informação pela PUC Minas e torcedor do Cruzeiro.

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14 comentários

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  • Aline Moura

    Ola! Estou adorando ler cada post da série e aprendendo bastante. Parabéns pelo trabalho. Mas tenho uma dúvida: quando você diz para limitar 50% da renda com os gastos comprometidos, este percentual é sobre o valor bruto, do bloquinho 1?? Agradeço se puderem esclarecer. Abraços!

    • Oi Aline,

      Obrigado por escrever!

      É isso mesmo. Limitar os gastos comprometidos a 50% da sua renda bruta do bloquinho #1 é uma boa medida para manter seu orçamento flexível ao ponto de sobrar espaço para os outros quatro bloquinhos da coluna de despesas.

      Mas tenha em mente que isso é apenas uma diretriz, e não é uma regra. As necessidades e possibilidades das pessoas são muito variadas. O que deve sempre prevalecer é o bom senso aliado à sua inteligência financeira.

      Você acredita que manter os gastos comprometidos nesse limite de 50% é algo possível na sua vida financeira atual?

      Um abraço,
      Diego.

      • Aline Moura

        Oi Diego! Obrigada por responder!!!

        De fato, neste momento, ainda não conseguirei limitar a 50% os gastos comprometidos. Pois devido o meu passado financeiro adquiri alguns empréstimos, mas um termina no meio do ano!

        Mas andei revendo alguns gastos comprometidos, buscando reduzir o valor das contas junto aos fornecedores. Consegui um pouco.

        E independente disso, quero iniciar com as regras dos 8%, mas adaptada para um percentual menor. O que acham? Aproveito para perguntar: a reserva financeira deve ser 6 x a minha despesa mensal, mas considerando o que? Seria os gastos comprometidos apenas? E o percentual para a reserva é também sobre a renda bruta, certo!?

        Abraços, Aline.

        • Olá Aline, que bom que você está conseguindo se organizar, continue assim e tenho certeza que em breve você terá um ativo para chamar de seu! 🙂

          Sobre a reserva de emergência, ela deve ser feita com base em todos os seus gastos (pode desconsiderar apenas os gastos na fonte).

          Agora vamos a sua estratégia para começar a investir. Que tal essa sugestão: separe 2 dos 3 8% para pagar sua dividas e comece a investir apenas 8%.

          Sendo assim após pagar suas dívidas, você estará acostumada a viver com 76% do seu orçamento e poderá acumular ainda mais.

          O que acha?

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  • Ruy Rambaldi

    No erro nr 4 se fala em diluir mensalmente os gastos com frequencia anual. A ideia é criar um gasto comprometido mensalmente e poupar este valor, como uma provisão de caixa?

    • Olá Ruy, obrigado pela pergunta!

      Exatamente. A ideia é criar um gasto comprometido mensal e poupar este valor como uma provisão de caixa.

      A necessidade dessa provisão vai depender do valor total de sua lista e de quanto ela pode sobrecarregar um único mês. Caso sua lista mostre um grande gasto ou uma grande concentração em um único mês é uma boa ideia poupar nos meses mais tranquilos. No entanto, se ao analisá-la você descobre que eles já estão bem distribuídos ao longo do ano, você pode simplesmente planejá-los nos meses de vencimento.

      Abraço,
      Diego Menezes

  • Thiago Cabral

    Eu sou extremamente cuidadoso com os meus gastos e realizo meus pagamentos todos em dia, todavia, contratei um empréstimo consignado e um financiamento há 2 anos atrás, sendo que não me sobra dinheiro para investir. Já minha esposa trabalha no controle por meio da fatura do cartão e de um caderno no qual ela anota algumas compras informais e despreza o consumo do dia a dia. Dividimos os gastos comprometidos, mas, ela não gosta quando eu peço para ela controlar os gastos diários. Numa situação como estas, devo considerar no orçamento a soma dos nossos dois salários ou deixar a metodologia individual de cada um prevalecer? Parabéns pelo conteúdo. Abraço.

    • Oi Thiago,

      Muito obrigado pela pergunta e pelos comentários!

      Tão importante quanto ser “cuidadoso com os gastos e realizar os pagamentos em dia” é manter um orçamento mensal com rendas e despesas, pois ele te oferece uma VISÃO DO TODO e te permite planejar e otimizar o destino do dinheiro ANTES mesmo de gastá-lo. Isso é uma das maiores vantagens nessa história toda.

      Quanto ao ‘empréstimo e financiamento’ vs. ‘não sobrar dinheiro para investir’, uma técnica boa é usar o conceito do livro “O Homem mais rico da Babilônia”. 2/10 da renda para pagar dívidas correntes, 1/10 da renda para investir. Quando acabar de quitar as dívidas, passe a usar 3/10 da renda para investir.

      Quanto a sua pergunta, não existe certo ou errado. Há casais que optam por somar a renda de ambos em um mesmo orçamento. E há outros que optam por realizar esse planejamento de forma individual.

      No primeiro caso, significa ter apenas uma caixa d’água e duas torneiras. Logo, sua esposa teria que contribuir no acompanhamento dos gastos do dia-a-dia. Uma dica para essa opção, é que cada um tenha um percentual do orçamento (previamente combinado) para poder gastar sem dar satisfação ao cônjuge. Isso exige bastante transparência do casal e, ao mesmo tempo, mantém a individualidade de ambos na relação.

      No segundo caso, embora tenha uma visão fragmentada da “renda da casa”, significa dar uma liberdade maior para cada um seguir o método que melhor se adapte e que se desenvolva no seu próprio tempo. Essa forma pode ser usada desde que nenhuma parte do casal tenha que recorrer à outra parte com frequência para “pedir socorro” (sinal de que um dos métodos não está funcionando, por negligência ou falta de habilidade).

      Apresentar essas duas opções (com os prós e contras de cada uma) para sua esposa em uma conversa franca (ou até mesmo testar cada uma por um tempo) seria uma possibilidade para vocês?

      Um abraço,
      Renato.

  • Bruno De Souza Dorti

    Ola, tenho uma dúvida, o orçamento parece ser mesmo sem furo, mas e minhas idas ao barbeiro ? se enquadra também nos gastos comprometidos ou do dia-dia ?

    • Oi Bruno, obrigado pela pergunta.

      Como as idas ao barbeiro costumam acontecer ao longo do mês (sem um dia certo para acontecer), talvez seja mais interessante considerar esse gasto como um gasto do dia-a-dia. Recomendo que crie um gasto do dia-a-dia chamado “Saúde & Higiene” para abranger não somente as idas ao barbeiro, mas também todas aquelas pequenas compras na farmácia de itens pessoais (é o que eu faço no meu orçamento pessoal).

      Um abraço,
      Renato M.

      • Bruno De Souza Dorti

        Bem esclarecedor Renato, muito obrigado bela atenção e parabéns pelo trabalho de vocês, depois de muito tentar eu acho que dessa vez coloco a vida financeira em ordem. Abraço

  • Marcelo Roza

    Parabéns e obrigado pelo trabalho.
    Uma dúvida:
    Supermercado não deveria ser enquadrado como despesas do dia-a-dia?
    Abs

    • Oi Marcelo, obrigado pela pergunta!

      O supermercado ser enquadrado como gastos do dia-a-dia ou um gasto comprometido depende dos seus hábitos de consumo. Se você vai no supermercado apenas uma vez por mês para fazer a chamada “compra mensal” essa compra pode ser provisionada como um gasto comprometido (planeja-se um valor estimado no orçamento no começo do mês; depois da compra feita, atualize para o valor correto, marque como ‘pago’ e ok!). Mas se você vai ao supermercado *ao longo* do mês, por exemplo, semanalmente ou em dias aleatórios, nesse caso enquadre-o como um gasto do dia-a-dia para facilitar o acompanhamento.

      Um abraço!

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