Mário e Luigi acumulando capital

O que é acumulação de capital e as 3 estratégias mais usadas

6 minutos

por Renato Martins

escrito em 24 janeiro 2013

Hoje é dia do 10º artigo da série Como fazer um orçamento doméstico matador e é hora explicar como a fase de acumulação de capital das três fases do investimento vai preencher o bloquinho 8 do seu orçamento.

Ícone Orçamento foco em investimentos

Não é simplesmente acumular capital, você precisa aprender como e quanto dinheiro é preciso juntar para alcançar a independência financeira e ficar tranquilinho com suas finanças.

Eu gosto de lembrar que o objetivo da série – desde o começo – sempre foi fazer VOCÊ compreender o que é realmente importante analisar na sua vida financeira e, também, que o orçamento do Goldmap foi desenhado para ser um orçamento matador de falhas e, com isso, potencializar ao máximo o uso do seu dinheiro.

Modelo do orçamento doméstico com foco em investimentos

Cada um dos 8 bloquinhos do orçamento têm semântica, um propósito, um porquê dele existir. Seja para facilitar a análise, o controle ou mesmo o rápido monitoramento.

O bloquinho 8 do orçamento matador não é diferente. Você precisa desse bloquinho no seu orçamento se:

  1. Você quer ficar rico; e/ou
  2. Se você pretende parar de trabalhar um dia (aposentar-se).

Se nenhum desses motivos é importante para você, você não precisa continuar a leitura desse artigo. Caso contrário, você vai entender realmente o que é acumulação de capital e como você vai colocar isso em prática na sua vida a partir do exato momento que acabar de ler esse texto.

Super Mário e Luigi descobrindo o que é acumulação de capital

O que é acumulação de capital?

O dinheiro tem basicamente duas finalidades: Facilitar o escambo (compra e venda de bens e serviços) e fazer reserva de valor (juntar, acumular o excedente) para usufruir depois.

Acumular capital é simplesmente fazer reserva de valor e tomar uma decisão sobre o que fazer com esse capital.

Quando você faz uma reserva de valor, três coisas podem acontecer com você:

Exemplo: Você acumulou R$10 mil. Você pode gastar tudo. Você pode gastar com nada nunca. Você pode colocar ese dinheiro para trabalhar para você.

Gastar tudo é o comportamento mais pobre que você pode ter. É exatamente o comportamento de alguns ganhadores de loteria ou do BBB que em um ano depois de ganhar o prêmio estavam novamente no ponto de onde partiram: sem nada e rezando para ganhar alguma coisa.

Não gastar com nada é o típico comportamento do Ouro do Tolo. É a historinha do cara que trabalhou muito, comprou umas barras de ouro e enterrou no fundo de sua casa. Lá ficaram por anos até que um dia quando ele foi verificar se estava tudo bem, percebeu que tinham sido roubadas! Desesperou-se. Pediu ajuda a seu vizinho sobre o que deveria fazer e o vizinho disse: “Por que você não enterra umas pedras no lugar?”. E o homem ficou horrorizado: “O que eu vou fazer com pedras?”. E o vizinho disse: “O mesmo que você fazia com as barras de ouro”. 🙂

É. O vizinho estava certo. Não era lá um comportamento dos mais inteligentes, mas ainda pode acontecer uma terceira coisa. Você pode…

Colocar esse dinheiro para trabalhar para você. Assim a sua reserva de valor pode lhe render frutos, aumentar o seu fluxo de renda mensal e fazer você e sua família terem uma qualidade de vida melhor e mais sustentável.

É nesse terceiro caminho que a metodologia do orçamento doméstico matador acredita! Não é só juntar e juntar. É acumular capital com um propósito definido: gerar renda para você e sua família. E para isso vamos às…

3 estratégias para acumular capital

Para acumular capital, você pode escolher entre três ou… pensando bem, duas estratégias:

  1. Fazer aportes pequenos e regulares. Ex: Aplicar R$ 400/mês na bolsa de valores durante X anos; ou
  2. Empreender e conseguir gerar valor (lucros). Ex: Planejar e executar a abertura de um negócio próprio.
  3. Ganhar na loteria.

É impossível falar de acumular capital sem falar de como investir seu dinheiro. Esse assunto já foi abordado várias vezes aqui no Blog e recomendo a leitura dos seguintes artigos:

Seja você um funcionário com salário fixo, um comissionado ou um pequeno empresário, você pode (e precisa) fazer aportes regulares em algum investimento para formar sua coluna de ativos.

Quanto é preciso juntar para alcançar a independência financeira?

Para calcular quanto você precisa acumular de capital, você precisa de duas variáveis: seu custo de vida médio mensal e a rentabilidade líquida que acredita conseguir com seus investimentos.

Cálculo da independência financeira

Isso mesmo! Nas condições acima, R$ 675 mil geraria a você e sua família R$ 4.500 por mês em forma de juros. Você atingiu a independência financeira. Você zerou o jogo das finanças pessoais!

Como colocar em prática no seu orçamento doméstico

Quantificar o objetivo final faz toda a diferença na sua caminhada. O segredo do sucesso está, dentre outras coisas, em saber onde se quer chegar.

Seguindo o mesmo exemplo da figura anterior, se você tem hoje 30 anos de idade e quer chegar a independência financeira com 60 anos de idade, fazer aportes de R$ 425/mês em investimentos que rendem 8% líquidos ao ano é o suficiente para você conseguir chegar aos R$ 675 mil.

Exemplo de aporte mensal para investimentos

Para calcular o valor dos aportes mensais e o tempo necessário para chegar ao capital acumulado ideal, faça o download e brinque um pouco com a calculadora do primeiro R$1 milhão do Blog do Goldmap (ela não serve apenas para calcular o primeiro milhão. Faça o cálculo da sua independência financeira e coloque o resultado no campo “Quero chegar a…” da planilha).

Pronto! Com o valor de seu aporte mensal em mãos é só incluir esse item no seu orçamento doméstico mensal no bloquinho 8 (investimentos) sempre com data de vencimento no mesmo dia que o salário cair na sua conta:

Exemplo de orçamento doméstico com foco em investimentos

A tática para fazer isso acontecer está em como você lida com seu orçamento doméstico mês após mês. Trace um plano de acordo com sua renda atual. Use a estratégia dos 3×8%. No exemplo acima, os investimentos mensais chegam apenas a 9% do total da renda mensal! Ou seja, se você puder (e quiser), ainda é possível aumentar esse percentual (até os 3×8%) sem cair no conto do Ouro do Tolo… 😉

Ícone Orçamento foco em investimentos

É isso. Existem várias possibilidades para aprimorar e analisar esse bloquinho do seu orçamento, mas o básico sobre acumulação de capital e sobre o bloco de investimentos do seu orçamento doméstico matador está aí.

As lições aprendidas hoje:

O que é acumulação de capital. Os 3 caminhos que você pode tomar ao acumular capital. Estratégias para acumular capital. Como quantificar a independência financeira. Como incluir investimentos no seu orçamento doméstico.

O próximo post aqui no blog do Goldmap é o último da atual série de artigos e serve como um teste para ver se seu orçamento doméstico está bom. Vamos ver se ele agora está matador de falhas!

Um abraço, pessoal! Até lá. E… gostou do post? Compartilhe com seus amigos! (:

Autor

Renato Martins

Renato Martins é cofundador do goldmap e um eterno estudante do tema "finanças pessoais". Ele é formado em Sistemas de Informação pela PUC Minas e em Administração pela ETFG. Busca escrever no blog do goldmap principalmente sobre como gerenciar as finanças pessoais de forma saudável e eficiente.

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6 comentários

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  • Ápice Consultoria

    O Blog http://www.apiceconsultoria.net tem um conteúdo muito bom para empreendedores, finanças, marketing, renda residual, renda extra, motivação, liderança, oportunidades de negócio e muito mais. Ótimo Blog!

    • Olá pessoal da Ápice Consultoria,

      Obrigado pelo comentário. Vou dar uma olhada no blog de vocês depois.

      Abraço.

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  • Pingback: Controle financeiro pessoal, 6 passos para começar.()

  • Gabriel Ramos

    Olá, primeiramente parabéns pelos artigos, eu os estou devorando avidamente. Me chamo Gabriel e tenho 29 anos, desde que li Pai Rico, Pai Pobre passei a me preocupar com minha saúde financeira. Venho tentando uma forma “matadora de falhas” a pelo menos uns 2 anos. Mas o descontrole sempre aparece devido a dificuldade de acompanhar os gastos, em especial do dia-a-dia, e como muitos aqui eu só conseguia estimar os gastos pra trás e não pra frente usando um universo de categorias. Para facilitar, saí do excel, passei pro j finanças e atualmente uso Finance Desktop, pois me permite importar meu extrato do bradesco direto e automatizar algumas coisas. Este método que vocês trazem é excelente e rompeu uma série de paradigmas pra mim, pela primeira vez eu passei a ver que a conta estava fazendo sentido. E que poderia ter uma visão global e prática. MUITO OBRIGADO!

    Nesta organização me surgiram algumas dúvidas, quanto à alocação de alguns recursos.

    – Educação (Faculdade/Cursos) é um investimento pois (em teoria) ele aumenta a valorização das minhas horas de trabalho ou um Gasto Comprometido? Pois ele tem uma data de vencimento certo. Fiquei com essa dúvida.

    – Reserva financeira na poupança é um gasto comprometido? ou um investimento já que ele rende juros? Uma vez que esta reserva atingiu os 6 meses de gasto estimado devo parar de colocar dinheiro lá? Se eu optar por usar os juros da poupança para outros fins eu classifico como renda de investimento? Vi em algum lugar aqui que a retirada da poupança seria considerado como renda atípica.

    – Tarifas bancárias, juros, IOF, juros cheque especial são gastos atípicos?

    – Supermercado é um gasto comprometido? Achei que ele fazia mais sentido como gasto do dia-a-dia.

    – Eu tenho animais de estimação, devo considerar os suprimentos de ração como um gasto comprometido?

    – Serviços pontuais como lavanderia devem ser considerado um gasto do dia-a-dia?

    Desculpe o enorme texto, mas a empolgação prevalece.
    Segue a estruturação do meu orçamento até então, espero estar no caminho certo.
    Desde já deixo meu agradecimento e meus parabéns!

    • Oi Gabriel, muito obrigado pelas perguntas e por todas as considerações!

      Fico feliz que você tenha passado a preocupar-se com sua saúde financeira. Fez mto bem e fez isso em tempo. Já a dificuldade de acompanhar os gastos é algo recorrente em várias pessoas, principalmente os gastos do dia-a-dia, como você mesmo citou. Por isso é tão importante ter um modelo de orçamento que lhe permita fazer as análises que realmente importam e que, além disso, lhe dê facilidade de acompanhamento.

      Suas perguntas são muito boas e mostram que você está no caminho certo. Passei por cada uma delas. As respostas seguem abaixo.

      1) Na sua vida, “educação (faculdade/cursos)” podem e devem ser encaradas como um investimento (um dos melhores de todos, na verdade)! MAS… para efeitos de planejamento do orçamento, eu prefiro considerar “investimento” apenas aqueles itens que representem “acumulação de capital”, ou seja, aqueles em que você junta dinheiro. Por tanto, opto por considerar os itens de educação como gastos comprometidos.

      2) Usando a mesma lógica acima, considero a reserva financeira um investimento, visto que você acumulou capital e pode ganhar juros com isso. Depois de atingir os 6 meses, você pode parar de colocar dinheiro, por exemplo, na poupança. Mas deve continuar colocando dinheiro em outros tipos de investimentos, caso queira atingir a independência financeira. Quanto a usar os juros da poupança para outros fins, eu normalmente considero como renda de investimento, mas se tenho que retirar da poupança um valor além dos juros ANTES do que eu planejava, eu considero como um renda atípica.

      3) Tarifas bancárias, se for o seu pacote de serviço do banco, não é um gasto atípico, e sim, comprometido. Os demais são gastos atípicos.

      4) Supermercado, depende. Se você tem o hábito de ir ao supermercado uma vez por mês para fazer a famosa “compra do mês”, significa que esse gasto tem uma data única para acontecer, ou seja, um gasto comprometido. Mas se você vai no supermercado várias vezes no mês fazer pequenas compras, pode (e deve!) criar um gasto do dia-a-dia para acompanhar essas saídas de dinheiro sem problemas.

      5) A análise acima vale também para os gastos relacionados ao animal de estimação e aos serviços pontuais. É uma análise que depende dos seus hábitos de compra ao longo do mês.

      Bom, ACHO que respondi tudo. Rs…

      Como você pode ver, as suas perguntas mostram que você JÁ está fazendo o mais importante da história: usando o orçamento para analisar as características dos seus gastos de modo a facilitar o acompanhamento e, como consequência, ter uma boa saúde financeira, melhor qualidade de vida, etc. É um exercício que vai ficando cada vez mais fácil, rápido e prazeroso a medida que você vai adquirindo proficiência no assunto.

      Qualquer outra dúvida, vamos conversando.

      Um abraço,
      Renato.

      • Gabriel Ramos

        Nossa obrigado! Ajudou bastante! Por esta lógica então eu poderia considerar aquela passadinha na farmácia como um gasto do dia-a-dia, mas uma consulta médica como um gasto atípico já que não fico doente normalmente. Entendo que este exemplo vale para estoque de rações como custo comprometido e veterinários como custo atípico, além de combustível em dia-a-dia e a manutenção mecânica em atípicos. É interessante, pois são gastos relacionados porém de natureza diferente, seria este o raciocínio?

        Isso me levanta uma dúvida. Considerando o padrão de consumo, como você disse, o combustível não deveria ser estimado como um custo comprometido ao longo do mês?

        Não sei se estou pecando por excesso, estaria eu segmentando demais estes custos vide imagem em anexo? Entendo que quanto menos categorias melhor, acredito que cheguei em uma quantidade relativamente boa.

        Forte Abraço!

        • Oi Gabriel, mais uma vez, obrigado pelas perguntas!

          Bom, seu raciocínio está correto. “São gastos relacionados, porém de natureza diferente”. E é ter esse raciocínio em mente que agiliza bastante o seu controle.

          Quanto ao combustível. Opto sempre por incluí-lo como um gasto do dia-a-dia, pois o ato de pagar o posto de combustível ocorre “ao longo do mês” (sempre que usar essa expressão para definir um hábito seu, pode desconfiar que é um gasto do dia-a-dia) e, muitas vezes, em dias indeterminados de acordo com sua rotina (similar a passadinha rápida na farmácia). Logo, fica mais fácil vê-lo como um gasto do dia-a-dia.

          Quanto a segmentar de mais, acredito que o trabalho que você fez, está bom! Mas acho que saber diferenciar a natureza do gasto (e da renda), é mais importante do que a qtde de categorias ou de subníveis que você cria. E isso, pela imagem que você mandou, dá pra ver que também está ok.

          Um abraço, meu caro!
          Renato.

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