Entendendo a conciliação de saldos - 3ª parte

Entendendo a conciliação de saldos – 3ª parte (final)

4 minutos

por Renato Martins

escrito em 4 fevereiro 2014

No primeiro exemplo de conciliação de saldos que fizemos aqui no blog, com um pequeno esforço de memória tudo funcionou bem. No segundo exemplo nem tudo funcionou bem, mas você aprendeu como “rolar com o soco”, amenizar o golpe e se sair bem na história.

No entanto, há alguns detalhes em comum nesses dois primeiros artigos: em ambos foram feitas conciliações simples onde só saiu dinheiro (não houve entradas) e também houve oscilação de saldos em apenas uma conta bancária. Mas… e quando entra dinheiro? E quando duas ou mais contas tiverem oscilação, como fazer?

Entendendo a conciliação de saldos

Nesse texto vou abordar três exemplos para cobrir essas situações e mostrar alguns erros comuns que podem impedi-lo de fechar os valores.

1º exemplo: Conciliação de saldos quando apenas entra dinheiro

Nem só de gastos vive nossa conta bancária e nossa carteira. Vez ou outra também entra dinheiro! Nesse caso, ao fazer o antes e o depois dos saldos da suas contas, você percebe algo mais ou menos assim:

Controle de saldos quando apenas entra dinheiro

Na nossa tabelinha acima, você pôde perceber que o saldo da sua conta no Banco Itaú no dia 04/nov era de 115 reais e 32 centavos e, no dia 09/nov (5 dias depois), era de 3.515 reais e 32 centavos, ou seja, você tem R$3.400 a mais nessa conta. De onde veio esse dinheiro?

Analisando o movimento da conta Itaú

Se tem dinheiro a mais na sua conta e seu orçamento estiver bem planejado, fica bem fácil fechar a conciliação.

Lembrando quando entra dinheiro

E no orçamento, é só “ticar” o item recebido…

Acompanhamento do orçamento

Para pessoas que tem um salário mensal fixo, essa tarefa é bem tranquila. Para pessoas que tem renda variável ou recebem vários valores “picados” ao longo do mês, é necessário uma atenção extra no acompanhamento e uma boa organização do orçamento mensal para isso funcionar bem.

2º exemplo: Conciliação de saldos quando entra e sai dinheiro

No caso acima, a única movimentação que ocorreu no intervalo de cinco dias foi a entrada do salário, mas, e se além de ter entrado o salário, você também tivesse pago alguns de seus gastos comprometidos e só depois fosse atualizar o controle financeiro?

Nesse caso, ao atualizar a situação financeira, você veria algo mais ou menos assim:

Controle de saldos quando entra e sai dinheiro

Uma vez que o valor da oscilação na conta Itaú não é exatamente o seu salário (um valor conhecido), já não fica tão óbvio deduzir de imediato o que aconteceu com seus gastos nesse meio tempo. Então tenha sempre essa imagem na sua mente:

Descobrindo como o dinheiro fluiu

A ideia é destrinchar os recebimentos e gastos até conseguir reconstruir a memória de cálculo completa para deixar registrado como o dinheiro fluiu para a suas mãos e de suas mãos para a mão de outros.

Quando estiver com a memória de cálculo completa, é só “ticar” no orçamento do mês todos os gastos pagos e rendas recebidas.

3º exemplo: Conciliação de saldos quando há transferências entre contas

Algumas vezes, as movimentações nas suas contas não são referentes a um gasto ou a um recebimento, e sim, a uma simples transferência de recursos de um lugar para outro. Acompanhe o exemplo:

Controle de saldos há transferência entre contas

O que aconteceu na verdade foi:

Transferência entre contas

Transferências acontecem o tempo todo. Transferências entre suas próprias contas bancárias, transferência da conta poupança para a conta corrente (e vice-versa), saques, depósitos, etc.

O importante é que você consiga rastrear e registrar a sequência certa do dinheiro. Por exemplo, se você recebeu seu salário em conta corrente, sacou R$200,00 e gastou todo o dinheiro, faça as movimentações da maneira correta, ou seja:

Rastreando o fluxo do dinheiro

Um erro comum é que ao invés de fazer conforme o exemplo acima, algumas pessoas já consideram o “saque” como o gasto em si, como na verdade a história do fluxo do dinheiro é um pouco diferente. Fazer da maneira correta vai facilitar o fechamento da conciliação.

Concluindo…

Se o acompanhamento das movimentações está simples é sinal que você entendeu bem como fazer conciliações. Se está complicado de mais, há alguma coisa errada e a melhor saída para identificar onde está o problema é reduzir o intervalo de tempo entre as conciliações, até conseguir compreender melhor a ideia da coisa toda.

No próximo post vamos falar sobre qual é a frequência ideal para acompanhar as finanças pessoais, que responderá as perguntas: De quanto em quanto tempo deve-se atualizar saldos? Qual o dia ideal para planejar orçamentos dos próximos meses? Quando revisar o orçamento atual?

Bom, é isso.

Um abraço e até a próxima.

Autor

Renato Martins

Renato Martins é cofundador do goldmap e um eterno estudante do tema "finanças pessoais". Ele é formado em Sistemas de Informação pela PUC Minas e em Administração pela ETFG. Busca escrever no blog do goldmap principalmente sobre como gerenciar as finanças pessoais de forma saudável e eficiente.

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2 comentários

  • Mauricio

    Como faço os lançamentos e e acompanhamento dos empréstimos que fiz? Acabo emprestando dinheiro e/ou cartão de crédito. Como fica essa operação no orçamento?

    • Oi Maurício, obrigado pela pergunta.

      Quando você empresta o cartão de crédito a alguém, recomendo que faça a conciliação do cartão normalmente (assim como é explicado nesse artigo: http://blog.goldmap.com.br/2014/04/como-controlar-cartao-de-credito-baseando-se-em-saldos/ ), a diferença é que na hora de conciliar os saldos, crie um item no orçamento chamado “Empréstimo p/ [nome da pessoa]” dentro da categoria de gastos atípicos (bloquinho #7) do seu orçamento mensal, com o valor igual ao montante emprestado. Nesse caso específico, esse item pode ser criado no orçamento do mês corrente ou no orçamento do mês em que a fatura do cartão irá vencer.

      Após concluir sua conciliação, vá no seu orçamento mensal e crie um outro item chamado “Reembolso empréstimo [nome da pessoa]” dentro da categoria de renda atípica, com o valor igual ao montante que você espera receber. Tenha o cuidado de criar esse item na data (dia e mês) em que você espera receber o reembolso.

      O mesmo deve ser feito quando você empresta dinheiro em espécie, o que muda é que você irá fazer a conciliação na sua conta “Carteira” ao invés da sua conta “Cartão de Crédito XXXX”; além, é claro, que o item “Empréstimo p/ [nome da pessoa]” criado na categoria de gastos atípicos terá de ser criado necessariamente no mês corrente.

      Se tiver ficado alguma dúvida, fique à vontade em perguntar mais.

      Um abraço,
      Renato.

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