Cartão de crédito: melhores práticas para compras parceladas

Cartão de crédito: Melhores práticas para compras parceladas

3 minutos

por Renato Martins

escrito em 13 maio 2014

Esse post se propõe a explicar as melhores práticas para compras parceladas no cartão de crédito. Ele faz parte da série como acompanhar as finanças pessoais de forma rápida e precisa e, ao lê-lo, eu presumo que você já tenha um orçamento mensal montado e já conheça os conceitos básicos de como controlar um cartão de crédito baseando-se em saldos.

Abaixo você verá três boas práticas. Siga-as e você dificilmente terá dores de cabeça relacionadas ao seu cartão de crédito. Vamos à elas.

#1. As compras do mês, tem que caber no orçamento do mês!

Não interessa qual tipo de gasto você tenha feito (gasto do dia-a-dia, gasto comprometido, gasto atípico) ou qual meio de pagamento você tenha escolhido (débito em conta, dinheiro, cartão de crédito, etc). As compras feitas do primeiro ao último dia do mês, entram no orçamento do mês.

Mas e se a fatura do cartão só vence no mês que vem? Não importa. A regra continua valendo: As compras pagas com cartão de crédito em um determinado mês, tem que caber no orçamento do mesmo mês em que foram feitas, sem que esse orçamento fique negativo.

Controlando o cartão de crédito no tablet

#2. A primeira parcela de uma compra parcelada, também tem que caber no orçamento do mês.

Em alguns casos, quando precisamos fazer a compra por exemplo de um eletrodoméstico ou outro bem durável de maior valor, se não temos reservas financeiras para pagar esse item à vista, pode ser bem conveniente parcelar a compra utilizando o cartão de crédito.

Nesse caso, inclua a primeira parcela no dia da compra do item independentemente da data de vencimento da fatura do cartão.

Controle de compras parceladas no orçamento pessoal
(clique na imagem para ampliá-la)

No exemplo acima, eu simulei a compra de uma geladeira nova no dia 14/maio, parcelada em 4 vezes de R$ 337,00 onde foi usado como meio de pagamento um cartão de crédito. A fatura desse cartão só vence no dia 10 do mês seguinte. Mesmo assim, a primeira parcela da compra deve ser incluída no dia em que a compra foi feita.

#3. As parcelas subsequentes devem ser lançadas nos orçamentos dos meses subsequentes, imediatamente.

Ainda no exemplo do item anterior, as três parcelas subsequentes, já devem ser incluídas nos orçamentos subsequentes, mesmo que você não tenha iniciado o planejamento deles ainda.

Orçamento mensal do mês seguinte ainda não planejado, apenas com a parcela a vencer lançada.
(clique na imagem para ampliá-la)

Ao fazer isso, já fica claro na sua cabeça que o mês seguinte já começa com R$ 337,00 de gastos já alocados (ou comprometidos). Faça isso também para os orçamentos de julho e agosto, referindo-se as parcelas 3 e 4, respectivamente.

Para fechar…

Se você lembrar que quem estabelece limites é o orçamento e não o saldo da conta bancária ou o limite do cartão de crédito, você nunca terá problemas com uso do cartão.

É importante que se use o cartão de crédito apenas pela conveniência que esse meio de pagamento oferece ao poder parcelar a compra de um bem de maior valor ou para facilitar compras pela internet, por exemplo. E nunca para gastar mais do que se ganha no mês, criando um passivo (ou seja, uma dívida) para os orçamentos dos meses seguintes.

Bom, é isso. Espero que o texto tenha ficado claro e que essas três práticas simples ajudem você a lidar melhor com seus cartões daqui pra frente.

O próximo artigo é o último da série atual e vai fechá-la listando 9 erros graves e comuns no controle financeiro das pessoas para você avaliar se aprendeu tudo o que era necessário sobre o tema.

Um abraço e até lá.

Autor

Renato Martins

Renato Martins é cofundador do goldmap e um eterno estudante do tema "finanças pessoais". Ele é formado em Sistemas de Informação pela PUC Minas e em Administração pela ETFG. Busca escrever no blog do goldmap principalmente sobre como gerenciar as finanças pessoais de forma saudável e eficiente.

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23 comentários

  • Ivan Viana

    gostei, parabéns!!

    • Ivan, obrigado!

      Se tiver quaisquer dúvidas relacionadas ao tema, estaremos aqui para tentar ajudar.

      Abs.
      Renato.

      • Mauricio

        Olá, pode compartilhar a planilha mostrada nas imagens. mauriciopimenta1@hotmail.com. Obrigado. Ótimo artigo, inserir os gatos do cartão de crédito no orçamento sempre foi uma das minhas maiores dificuldades.

        • Oi Maurício, obrigado pelo interesse.

          Bom, na verdade, essa planilha existe apenas no nosso software: http://www.goldmap.com.br

          Ela NÃO existe em um formato que possa ser compartilhado, como uma planilha Excel, por exemplo.

          Então, convido você a fazer um teste no nosso sistema (link passado acima).

          Um ponto de atenção é que a primeira tela do sistema que você verá após se cadastrar NÃO é a mesma da imagem da planilha que você deseja. A planilha que você deseja (Orçamento Mensal), aparecerá na tela seguinte, assim que vc completar o preenchimento do Controle de Saldos.

          Quaisquer dúvidas no processo, estaremos aqui para tentar lhe ajudar.

          Abs,
          Renato.

  • Rafael Aguiar

    Boa Noite, parabéns pelo excelente trabalho com essa série de artigos. Uma dúvida que me resta depois de acompanhar até aqui é seguinte: Por exemplo, a compra de uma geladeira nova é um gasto atípico, no exemplo acima você colocou como gasto comprometido, isso foi devido ter usado como meio de pagamento o cartão de crédito que a fatura tem dia de vencimento? Poderia esclarecer melhor esse ponto?

    • Rafael Aguiar

      Apenas mais uma complementação e despesas como vestuário, livros que não se tem todo mês e sim em algumas épocas do ano, meu entendimento é que seja como gastos atípicos, está correto isso? Obrigado

    • Oi Rafael, obrigado pela pergunta e pelo elogio.

      Na verdade, colocar a parcela da geladeira como um gasto comprometido ou como um gasto atípico nada tem a ver com a escolha do meio de pagamento (no caso, o cartão de crédito).

      O critério para encaixar a parcela da geladeira em um bloco ou no outro vai mais do seu planejamento. Isso é: a compra da geladeira foi planejada com antecedência no seu orçamento? Se sim, então ela é um gasto comprometido. Mas se a compra foi uma surpresa que aconteceu ao longo do mês (ex: ela estragou, não tinha conserto e vc não teve opção), então ela passa a ser um gasto atípico.

      Observe que na situação hipotética que coloquei acima (dela ter estragado e vc ter comprado uma nova de forma parcelada), a primeira parcela entraria como um gasto atípico no orçamento do mês corrente. Nos meses seguintes, vc já sabe daquelas parcelas, então elas deveriam entrar nos gastos comprometidos.

      Confundir os gastos atípicos com os comprometidos não é um erro que terá um impacto muito grande no seu orçamento. A grande sacada mesmo é tomar o cuidado de diferenciar o bloco de gastos do dia a dia dos demais blocos de gastos do orçamento.

      Abraço,
      Renato M.

      • Rafael Aguiar

        Essa questão “Observe que na situação hipotética que coloquei acima (dela ter estragado e vc ter comprado uma nova de forma parcelada), a primeira parcela entraria como um gasto atípico no orçamento do mês corrente. Nos meses seguintes, vc já sabe daquelas parcelas, então elas deveriam entrar nos gastos comprometidos” escrito por vc acima, nesse caso na hora de organizar um a previsão de gastos de um período de 12 meses por exemplo, geraria um conflito de categorias, ou não?

        • Se você quisesse gerar uma espécie de relatório separando o total de gastos por bloco do orçamento (gastos atípicos, gastos comprometidos, etc) a cada mês desse período de 12 meses, talvez possa gerar um conflito, sim.

          Nesse caso, mantenha as coisas simples, mantendo tanto a primeira quanto as demais parcelas em apenas um dos blocos do orçamento.

          Abraço,
          Renato M.

  • Rafael Aguiar

    Olá Renato, mas uma dúvida: supondo um cartão de crédito com vencimento da fatura dia 5 do mês seguinte como ficaria o orçamento do mês setembro tomando como exemplo a compra da geladeira acima? A pergunta se deve ao fato de que no exemplo acima a 4 parcela termina em agosto e o vencimento da fatura é somente em setembro (dia 5). O que mudaria nesse mês de setembro, pois o gasto comprometido geladeira nova, não mais existiria. Você adota uma especie de regime de competência e caixa da contabilidade não é isso mesmo, compras do mês atual regime de competência e compras seguinte de caixa.

    • Ed

      O rapaz não soube responder voce hein… he he he he

      • Hehehe…

        Oi Ed, obrigado por participar.

        Já está respondido logo acima.

        Se tiver ficado alguma dúvida, deixe-me saber se posso ajudá-lo.

        😉

    • Oi Rafael, obrigado por perguntar.

      1) O mês de setembro realmente ficaria sem a parcela, mas como o saldo final de cada orçamento mensal é transferido para o mês seguinte, o total de dinheiro disponível para orçar no mês de setembro já contemplará o valor da parcela para pagar a fatura do cartão sem que haja furos no caixa. É como se você terminasse o mês de agosto com uma gordura que seria queimada no momento do pagamento da fatura (no dia 5/set, seguindo o seu exemplo).

      2) Na verdade, não se trata de usar regime de caixa ou de competência (podemos falar mais disso, caso vc queira). Trata-se de NÃO passar um determinado mês sendo financiado pelo cartão crédito, rolando uma dívida que deveria caber dentro do orçamento do mês atual. Veja bem: tenha em mente apenas que mesmo que a fatura vença somente no mês seguinte, aquela compra (ao menos a primeira parcela dela) tem que caber no orçamento em que foi feita. Isso é uma boa prática para que o seu fluxo de caixa seja mais saudável e para evitar o stress de andar sempre com a corda no pescoço.

      3) [Bônus] Só para vc entender melhor o porquê disso, há uma regra anti-stress nas finanças pessoais que diz: “Gaste no mês atual a renda que você recebeu no mês anterior”. O cartão de crédito faz exatamente ao contrário: Faz você gastar no mês atual a renda que você AINDA vai receber no mês seguinte… Esse tipo de comportamento caminha na direção oposta dos objetos do orçamento matador ( http://blog.goldmap.com.br/2012/03/como-fazer-um-orcamento-domestico-matador/ ), que é transformar você em um acumulador de capital.

      Ps. Ainda vou falar mais dessa regra anti-stress aqui no blog, em um futuro não muito distante.

      Abraço,
      Renato M.

  • Marcelo Roza

    Boa noite, Renato
    Em relação aos saldos financeiros, as compras parceladas também vão influir no saldo final, ainda que sejam lançamentos futuros. Como tratar esta questão no controle de saldos?
    Abs

    • Oi Marcelo, tudo bem?

      Sim, as compras parceladas irão influenciar o saldo final, ainda que sejam lançamentos futuros. E isso está correto! O objetivo disso é você identificar rapidamente sua situação financeira real. Se, por exemplo, o valor já gasto do cartão estiver muito alto, fica óbvio e fácil perceber seu grau de endividamento de curto prazo, visto que seu saldo consolidado estará sempre negativo.

      A principal vantagem disso é a possibilidade de previsão, ou seja, o futuro também passa a fazer parte da conta.

      Um abraço!

  • Felipe

    E quando voces vão se atualizar e ter um aplicativo também? Já que faz toda diferença um aplicativo, sendo que fica muito mais fácil do que ter que abrir uma página web, etc e tal…

    • Oi Felipe, obrigado pela pergunta e valeu pela sugestão!

      Concordo plenamente com você na sua opinião quanto a facilidade que um app pode oferecer em alguns casos. Adianto q estamos trabalhando bastante aqui para evoluir o goldmap e criar condições para disponibilizá-lo em outras plataformas (isso é, em forma de aplicativo p/ mobile). Mas… por enquanto, infelizmente não temos uma previsão de quando isso acontecerá.

      Se tiver qualquer outra coisa que eu puder ajudá-lo no goldmap web ou com algum conteúdo aqui do blog, estarei por aqui!

      Um abraço,
      Renato.

      • Felipe

        Obrigado pelo retorno, não tem previsão para 2015 entao? Uma pena, um app facilita bem mais para o uso do dia a dia, e pegar o iphone clicar no app e boa hehe, mas então tá certo, vu continuar acompanhando as dicas do blog, e até pensei que o blog tinha acabado, tá precisando fazer uma série de artigos novos, seria uma boa abordar assuntos da nossa economia atual, umas dicas de como driblar o momento atual, com alguns cortes, enfim tem é assunto nesse quesito hehe,
        Abraço

        • Olá Felipe,

          Isso mesmo. Por enquanto, sem previsão.

          No mais, obrigado pelas sugestões sobre o conteúdo do blog. Concordo com você: assunto nesse quesito é o que não falta. Hehe… Em breve pretendemos fazer algumas mudanças e postar novos conteúdos 😉

          Um abraço!
          Renato.

  • Isabella Campolina

    Algumas pessoas têm medo de usar o cartão e se afundarem em dívidas por não conseguirem controlá-lo. O artigo é muito bom, e ótimo complemento do anterior. Os dois ajudam bastante na tarefa de como usar bem o cartão de crédito. Esse é um meio que traz boas vantagens (quando usado conscientemente), como por exemplo,milhas, que podem ser trocadas por vários produtos de valores elevados… etc…

    • Oi Bella! Jóia? 🙂

      É… Esse medo de usar o cartão sobra em algumas pessoas e FALTA em muitas outras!! Rsrsrs… Mas em ambos os casos por falta de conhecimento (e em algumas vezes falta de auto-conhecimento). Como você mesma disse, “quando usado conscientemente”, traz ótimas vantagens!

      O que tentamos fazer nesse artigo (em conjunto com o artigo anterior) foi explicar uma forma de controle de cartão de crédito no qual quem estabelece limites é o próprio orçamento mensal e não o limite disponível no cartão de crédito em si. Esse é o “pulo do gato”… Se você conseguir perceber isso, acredito que nunca terá problemas com cartões ao longo da sua vida, mesmo que os use frequentemente! 😉

      • Isabella Campolina

        Muito bom, Renato!

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