Correndo dos gastos atípicos

Como fazer dos gastos atípicos gastos previsíveis e controláveis?

7 minutos

por Diego Menezes

escrito em 5 setembro 2012

Chegamos ao 9º artigo da série como fazer um orçamento doméstico matador. Estamos quase lá! O artigo de hoje ilustra como transformar gastos atípicos em gastos previsíveis e controláveis. E para cercar mais esse ponto de falha do seu controle financeiro, vamos ver como fazer isso acompanhando as recentes descobertas que Thiago fez ao construir o seu primeiro orçamento pessoal.

Olá, eu sou o Thiago e vou te contar como controlei meus gastos atípicos

O Thiago começou recentemente mais uma tentativa de controlar as finanças. Ele sempre pegou o dinheiro que tinha logo após receber o salário, fazia algumas contas de cabeça e estimava como poderia utilizar o dinheiro ao longo mês, depois ele tentava acompanhar isso anotando todos os gastos.
Puxando pela memória ele lembrou que, mesmo anotando tudo, uma das coisas que sempre fazia seu controle financeiro pessoal falhar era ser pego de surpresa por alguns gastos inesperados.

Tiago frustrado com o seu orçamentoDe posse dessas memórias, ele parou e começou a pensar no que ele poderia fazer para evitar ser pego de surpresa por esses gastos. Depois de algum tempo, ele viu que apenas controlando as despesas estaria novamente a mercê dos ventos e de onde eles o levariam. Ele agora sabia que para ser diferente era ele quem tinha que estar no comando.

Thiago estava determinado, cheio de planos e grandes objetivos traçados. Ele não queria de jeito nenhum que seus esforços falhassem novamente. Os caminhos tomados anteriormente estavam definitivamente descartados.Tiago está determinado

Thiago sabia que tanto para evitar surpresas quanto para alcançar seus objetivos ele precisava gastar melhor o seu dinheiro. Foi a partir daí que ele se planejou e fez o seu primeiro orçamento e, assim, passou ele mesmo a ditar os rumos de sua vida financeira.

Já no seu primeiro orçamento ele aprendeu muito sobre seus hábitos de consumo e o simples ato de passar os gastos da cabeça para o papel já serviu para que ele evitasse muitas surpresas. Não foram todas, isso porque no primeiro orçamento Thiago deixou de colocar alguns itens e só foi tomar conhecimento deles no momento em que eles realmente aconteceram.

Mesmo assim Thiago não deixou se abater, ele já estava vendo uma boa melhora nas finanças e sabia que estava no caminho certo. Com calma ele observou bem os gastos que apareceram e viu que poderia fazer deles uma importante fonte de aprendizado, melhorando seu orçamento para ficar cada vez mais próximo de alcançar seus objetivos.

Então, no seu orçamento mensal, além do bloquinho de gastos do dia a dia e gastos comprometidos, ele criou também um espaço para concentrar o que ele chamou de gastos atípicos. Feito isso, sempre que aparecia um gasto diferente ele colocava em prática um método que ele bolou após observar algumas peculiaridades do gasto.

Orçamento com destaque nos gastos atípicos

Thiago percebeu que muitos dos gastos que ele havia esquecido – e não estavam planejados – fugiram aos seus olhos, basicamente, por sua frequência não ser mensal.

Ele viu nisso um dos principais motivos de ter esquecido deles, mas não o único.Tiago tenta melhorar o orçamento

Veja só o que o Thiago faz quando se depara com um gasto atípico

A primeira coisa é tentar identificar a frequência do gasto. Se o gasto se repetir anualmente, por exemplo, ai ficou fácil! A esses gastos que acontecem uma vez por ano ele deu o nome de gastos atípicos de grau 1. São os mais fáceis de identificar, mas que por um pequeno descuido passaram batido.

Alguns exemplos desses gastos que apareceram no orçamento do Thiago foram: IPTU, IPVA, o presente do aniversário de casamento e a viagem de verão.Tiago e um presente para a namorada

O Thiago também achou alguns outros gastos em que ele conseguia identificar uma freqüência, porém eles aconteciam em intervalos mais difíceis de incorporar ao orçamento. Eram gastos bimestrais, semestrais e até quinzenais. Para esses, Thiago deu o nome de gastos atípicos de nível 2. Eles fazem com os seus gastos sejam diferentes de um mês para o outro e requerem um certo cuidado para evitar um furo no caixa.
A medida que Thiago ia evoluindo seu método, ele foi realmente ficando bom nisso e descobriu que alguns gastos dependiam de uma variável extra para determinar a frequência em que iam acontecer: o tempo de uso!

Tiago vai se planejar para trocar o pneu

O momento eureka aconteceu ao observar os pneus do carro. Ele viu que já estavam com meia vida e sabia que cedo ou tarde teria que fazer a troca. Para ter certeza que a chegada desse momento não viesse a atrapalhar seu orçamento ele já queria se planejar desde já.

Como ele tinha comprado o carro zero, conseguiu fazer as contas de maneira bem simples: ele já estava com o carro há 14 meses, os pneus estavam a meia vida e sua rotina com o carro não mudaria nos próximos meses, então, estimou que a troca deveria ser feita nos próximos 12 ou 14 meses.

Logo depois desse momento Thiago entrou em casa e rapidamente passou por todos os cômodos observando o estado de conservação de todos os seus bens de consumo. Ele viu que quase tudo estava em um bom estado de conservação, porém alguns objetos chamaram a atenção de Thiago…

Geladeira e microondas antigos

O microondas já mostrava os sinais dos 9 anos de uso. A geladeira era ainda mais antiga e já beirava os 12 anos. Depois dessa vistoria Thiago tinha certeza que ambos estavam próximos de estragar e precisariam ser substituídos. Thiago correu para o seu orçamento afim de traçar os cenários e ver as possibilidades para fazer a troca quando elas de fato forem necessárias. E, com tranquilidade, ele conseguiu traçar um plano para quando o momento chegasse.

Para esse tipo de gasto aparentemente atípico que dependem da variável “tempo de uso”, Thiago deu o nome de gastos atípicos de grau 3. São mais difíceis de serem achados, mas com um pouco de observação não são assim tão complicados.

Pouco tempo depois de ter finalizado o plano para a substituição da geladeira e o antigo microondas, o que estragou mesmo foi o que ele não esperava: a TV de pouco mais de 2 anos.

Televisão com defeito

Foi aí que Thiago descobriu os gastos atípicos de grau 4: os gastos em que não há freqüência certa para ocorrer e, portanto, não conseguia se antecipar. Para piorar ainda mais a situação, no dia que ele descobriu que o conserto da TV ficava praticamente no preço de comprar uma nova, ele foi notificado pelo correio sobre uma multa de trânsito por excesso de velocidade: mais um gasto atípico e indesejado que ele não tinha como prever.

A solução que Thiago encontrou foi recorrer a sua reserva financeira de emergência criada para que em eventualidades como essas ele não precisasse recorrer a empréstimos ou cheque especial.Os quatro graus de gastos atípicos

E essa foi a experiência de como o Thiago domou as surpresas do seu orçamento e as transformou em gastos previsíveis e controláveis.Tiago conseguiu finalmente fazer um controle financeiro

E você? Acha que consegue aplicar esses aprendizados do Thiago no seu orçamento? Já passou o olho pela casa e reparou se tem algo que já é possível prever que está por estragar? Teria mais uma dica para Thiago e seu método? Então, deixe seu comentário logo ali embaixo no final do post.

A nossa série está quase no final. Para fechar o último bloquinho do orçamento matador, vamos à parte mais importante para o médio e longo prazo da sua vida financeira com o artigo: O que é acumulação de capital e as 3 estratégias mais usadas.

E por falar na série, você já a leu toda? Se não, corre lá. Se sim, conte para gente o que achou dela até agora!

Um abraço do Tiago.

Autor

Diego Menezes

Diego é cofundador do goldmap. Os artigos escritos por ele cobrem planejamento, gestão de economias, além de dicas e boas práticas para lidar com as finanças. Ele é graduado em Sistemas de Informação pela PUC Minas e torcedor do Cruzeiro.

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12 comentários

  • Ana Paula

    O que houve? Porque não continuaram a série de artigos!
    Achei os artigos muito interessantes e me ajudaram muito a planejar as finanças.
    Mas quando começamos a colocar todos esses gastos “atípicos” na ponta do lápis dá até medo e parece que nunca conseguiremos controlar nossas despesas. Espero que eu consiga!

    • Olá Ana Paula, tudo bem com você? Espero que sim!

      Primeiramente gostaria de agradecer pelo comentário e pedir desculpas pelo atraso nas publicações dos artigos. Já adianto que estou escrevendo o próximo e espero lançá-lo muito em breve.

      Fico muito feliz em saber que a série te ajudou a planejar as finanças, e acho que você irá *sim* conseguir planejar e controlar seu orçamento. Afinal de contas, começar é metade da ação (:

      Como você estava fazendo esse planejamento antes de conhecer o blog do Goldmap? Já tentou outras formas de planejamento e controle?

      Um abraço!
      Diego.

      • Ana Paula

        Olá Diego,

        já tinha tentado outras formas de planejamento e controle sim. Mas tudo que eu conseguia era uma norme lista de gastos pra onde tinha ido meu dinheiro. Ajudava no fato de verificar quanto de renda eu gastava em contas (renda comprometida) e quanto que sobrava para passar o mês.

        O fato é que contas como iptu, ipva, materiais escolares, presentes e essas coisas nunca vinham previstas e sempre apertava o mês referente a estes gastos.

        Dessa forma como fazem o controle, consigo ver esses gastos antecipadamente e posso ir guardando mês a mês para não apertar uns meses e gastar descontroladamente em outros como eu fazia.

        Outra dica que me ajudou muito foi o de separar o dinheiro de investimento antes de verificar o que sobra para o dia a dia. Eu geralmente só guardava se sobrasse alguma coisa no fim do mês.

        Minha conclusão é que os controles tradicionais servem só para uma coisa, identificar os gastos do dia-a-dia para eu colocar nessa nova planilha. 🙂
        Espero que com essa nova visão das minhas despesas eu consiga ao menos sair do vermelho… pq a partir daí é mais fácil continuar subindo. 😉

        • Olá Ana, tudo bem?

          Bem legal suas colocações. Estão totalmente de acordo com o que propomos no Goldmap.

          Separar o dinheiro de investimento antes de verificar o que sobra para o dia a dia é, sem dúvida, uma das formas **mais espertas** de sair do vermelho. Isso porque essa simples atitude tem um poder psicológico muito grande sobre nós.

          Agora, é sempre bom lembrar que cada caso é um caso. Se por exemplo você tiver dívidas caras como o rotativo do cartão de crédito, cheque especial, ou mesmo um empréstimo com juros altos, o melhor a se fazer é quitá-los o quanto antes abrindo mão inclusive do dinheiro do investimento.

          Se eu puder ajudar em alguma coisa, é só falar!

          Um abraço!
          Diego.

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  • Muito boa essa série de artigos, realmente estão me levando para um planejamento bem mais positivo do que as típicas planilhas de excel da internet que não mostram exatamente de onde vem e pra onde vai o dinheiro.

    Estou na espera dos últimos artigos para completar meu planejamento! Alguma previsão, pessoal?

    Abraços e parabéns pela iniciativa, trabalho muito bem feito!

    • Oi Douglas, obrigado pelos comentários sobre a série e sobre o nosso trabalho! Estamos recebendo bons feedbacks e tentando levar um planejamento ‘mais positivo’ para cada vez mais pessoas.

      A boa notícia é que um novo post da série de artigos foi publicado hoje e o próximo já está previsto para daqui 15 dias.

      Um abraço, meu caro!
      Renato Martins

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  • Daniel Prates

    Olá, ficou muito bom esses artigos, mas não entendi direito como eu controlo os gastos atípicos na pratica. Por exemplo, comprei um aparelho de academia para fazer exercícios em casa, não foi nada urgente ou imprevisto, mas não sei como categorizar ele. Comprei no cartão de credito, ele deveria entrar no gasto “Atípico” ou no “Compromissados”?
    Dei o exemplo acima, mas pode valer para qualquer imobilizado: Mesa, armário, televisão, carro, etc…

    Obrigado!

    • Olá Daniel, obrigado pelo comentário e pelo elogio! 🙂

      O ideal, é que o bloquinho de gastos atípicos fique sempre vazio, sendo utilizado somente quando você realmente for pego de surpresa. A multa de transito é o melhor exemplo, não tem como se planejar para ela. Todos os outros gastos, como os que você citou, devem ser organizados em gastos comprometidos.

      Resumindo. Se você foi pego de surpresa vai para os gastos atípicos, se houve qualquer nível de planejamento, mesmo que mínimo vai para os gastos comprometidos.

      Abraço,
      Diego Menezes

      • Cristian

        Diego, também fiquei com várias dúvidas, talvez pela maneira diferente de pensar… Você comentou no artigo que IPTU, IPVA são atípicos. Na resposta do Daniel você comentou que se há planejamento pode ir para os gastos planejados. Ainda estou muitas dúvidas. Seguro (carro, saúde, vida, etc) são anuais e podem ser planejados. IPVA também. Todos esses vão para comprometidos?

        Já agradeço.

        • Oi Cristian

          Exatamente isso. Como eu disse… ou melhor o Tiago disse no artigo IPVA e IPTU, são os mais fáceis de identificar, mas que por um pequeno descuido passaram batido.

          Como eu respondi para o Daniel Prates aí em cima o ideal, é que o bloquinho de gastos atípicos fique sempre vazio.

          Abraços! Diego.

  • Vinícius Sena

    Olá Diego! Parabéns pela série!!!

    Continuo um pouco na dúvida acerca da classificação: a aquisição de uma nova televisão, por exemplo, seria de qual categoria? Não se trata de pequenos gastos do dia a dia. Tampouco possuem data certa para ocorrer (dia de vencimento). Além disso, é um gasto no qual se escolhe quando fazer, não se enquadrando em gastos atípicos, os quais devem ficar o mais vazios o possível e conter apenas imprevistos. Onde enquadrar, portanto, tais gastos eventuais que são de maior vulto, podem ser antevistos com um pouco de cuidado e não possuem dia para ocorrer (presentes, cursos, troca do carro, etc.)?

    Abraço,
    Vinícius Sena

    • Fala Vinícius! Tudo bem cara? Valeu pelo elogio.

      O orçamento não é e não precisa ser algo rígido, ele precisa fazer sentido para você.

      No caso da compra da televisão, as únicas categorias que ela pode se enquadra – pelo menos na grande maiorias dos casos – são as dos gastos comprometidos e atípicos.

      A partir do momento que você se planeja para comprar a televisão mesmo que minimamente, ela deixa de ser uma gasto atípico – logo, neste caso ela será um gasto comprometido.

      Se você ainda tiver mais dúvidas, fique à vontade em perguntar que responderemos com todo prazer!

      Um abraço,
      Diego.